Centenas de camiões avançando lentamente pelas autoestradas portuguesas. Buzinas, congestionamentos e empresários dizendo que os custos chegaram a um ponto difícil de suportar.
Foi assim que o setor das terraplanagens decidiu levar para as estradas, na sexta-feira, 25 de setembro, uma reivindicação que vinha crescendo dentro das empresas: o impacto da forte subida dos combustíveis.
A marcha começou em Lordelo, no concelho de Paredes, passou pelas autoestradas A42, A41 e A1 e seguiu em direção a Coimbra. A mobilização reuniu empresas de terraplanagem, extração de inertes, movimentação e transporte de terras e outras atividades relacionadas.
Segundo a GNR, citada pela imprensa, 380 camiões participaram da manifestação, envolvendo 117 empresas. Os organizadores chegaram a apontar números próximos de 450 veículos.
Por trás das buzinas existe uma conta que ajuda a explicar o tamanho da insatisfação.

Gasóleo passou dos €2,20 e virou o centro da revolta
Para uma pessoa que utiliza um automóvel diariamente, alguns cêntimos adicionais por litro já são sentidos no orçamento.
Agora imagine uma empresa operando vários camiões, escavadoras e outras máquinas pesadas durante horas todos os dias.
Segundo os organizadores da manifestação, o gasóleo passou de €1,59 por litro em 27 de fevereiro para €2,22, uma diferença de €0,63 por litro. Os empresários afirmam ainda que o combustível pode representar quase 70% do preço final de determinados serviços do setor.
Os números oficiais ajudam a confirmar o patamar elevado atingido pelo combustível.
Dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) mostram que, em 24 de setembro, véspera do protesto, o preço médio diário do gasóleo simples em Portugal continental estava em €2,221 por litro.
E existe outro número que ajuda a visualizar o problema.
Um motorista explicou que um camião pode consumir em média 60 litros a cada 100 quilómetros.
Usando apenas como exemplo esse consumo e o preço médio de €2,221:
100 km = cerca de €133 em gasóleo.
Em 500 quilómetros, seriam aproximadamente €666 somente em combustível.
Num veículo que percorresse 10 mil quilómetros nessas condições, o cálculo teórico ultrapassaria €13 mil.
O consumo real varia bastante conforme veículo, carga, terreno, trânsito e operação, mas a conta ilustra por que pequenas alterações no preço por litro ganham outra dimensão quando multiplicadas por frotas inteiras.








