O brasileiro poderá encontrar mudanças na tributação de produtos que fazem parte do seu dia a dia a partir de 2027. Cigarros, refrigerantes, bebidas alcoólicas e determinados veículos estão entre os itens alcançados pelo chamado Imposto do Pecado, uma das novidades da reforma tributária brasileira.

Na quarta-feira, 4 de novembro, o Governo Federal publicou a Medida Provisória nº 1.399/2026, que estabelece as alíquotas e as regras iniciais do Imposto Seletivo, nome oficial do tributo.

A cobrança está prevista para começar em fevereiro de 2027, marcando uma nova etapa na transformação do sistema tributário nacional.

O objetivo declarado pelo Governo é desestimular o consumo de produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, utilizando a tributação como instrumento para influenciar hábitos de consumo e incentivar alternativas menos poluentes.

Entretanto, a novidade levanta uma pergunta importante: o Imposto do Pecado vai realmente aumentar os preços nas prateleiras ou apenas substituir impostos que já existem?

A resposta exige atenção. Embora o novo tributo tenha sido criado para incidir sobre determinados produtos e atividades, o Governo afirma que pretende preservar, durante 2027, níveis de tributação semelhantes aos atuais.

Isso significa que a criação do imposto não representa, necessariamente, um aumento imediato no preço de todos os produtos afetados.

Afinal, o que é o Imposto do Pecado?

O Imposto Seletivo foi instituído pela reforma tributária aprovada em 2023, por meio da Emenda Constitucional nº 132.

Popularmente chamado de Imposto do Pecado, o tributo foi concebido para incidir sobre a produção, a comercialização ou a importação de determinados bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

A lógica é diferente da tributação tradicional.

Enquanto a maioria dos impostos sobre o consumo tem como principal função financiar as atividades do Estado, o Imposto Seletivo também pretende influenciar comportamentos.

Na prática, produtos associados a riscos à saúde ou impactos ambientais poderão receber uma tributação específica.

A ideia é que essa cobrança contribua para desestimular determinados consumos e estimule a adoção de tecnologias e produtos mais sustentáveis.

O modelo não é exclusivo do Brasil. Diversos países utilizam impostos específicos sobre cigarros e bebidas alcoólicas, por exemplo, como parte de suas políticas de saúde pública.

No caso brasileiro, a novidade é a integração desse mecanismo à ampla reforma dos impostos sobre o consumo.

Quais produtos serão atingidos pelo novo imposto?