A eleição presidencial brasileira chega à sua fase decisiva neste domingo, 25 de outubro, com uma pergunta capaz de mudar o rumo da disputa: quem vai conquistar os quase 49 milhões de eleitores que não escolheram nenhum dos dois finalistas no primeiro turno?
Um levantamento divulgado pela imprensa aponta que aproximadamente 48,7 milhões de eleitores integram esse universo. São brasileiros que deixaram de comparecer às urnas, votaram em branco ou nulo ou escolheram candidatos que ficaram fora do segundo turno.
O número chama atenção pelo seu tamanho e pela capacidade potencial de influenciar o resultado. Mas existe uma diferença importante entre estar fora da votação dos finalistas no primeiro turno e estar disposto a mudar de posição no segundo.
Nem todos esses eleitores comparecerão às urnas. Entre os que votarem, parte poderá repetir o voto branco ou nulo. Outros poderão escolher um dos candidatos, enquanto alguns simplesmente não pretendem participar.
É justamente essa incerteza que transforma esse grupo em uma das grandes incógnitas da eleição.
O grupo de 48,7 milhões não é um bloco único de votos
Embora o número seja expressivo, seria incorreto tratar todos esses eleitores como se formassem um grupo com as mesmas opiniões, prioridades ou preferências políticas.
Na realidade, existem pelo menos três comportamentos eleitorais diferentes.
Os eleitores que se abstiveram podem ter deixado de votar por motivos diversos, incluindo dificuldades de deslocamento, compromissos profissionais, problemas de saúde ou desinteresse político.
Já os votos brancos e nulos podem representar diferentes escolhas individuais, desde insatisfação com os candidatos até erros no momento da votação.
Por fim, os eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno já manifestaram uma preferência eleitoral, mas terão de decidir se apoiam um dos finalistas, votam em branco ou nulo ou deixam de comparecer.
Essas diferenças tornam impossível presumir que os 48,7 milhões de eleitores estejam disponíveis para um único candidato.
Por que esses eleitores podem mudar o resultado?
No segundo turno, vence o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos. Os votos brancos e nulos não entram nesse cálculo.
Isso significa que uma mudança relativamente pequena na participação eleitoral pode ter grande importância, especialmente quando a diferença entre os candidatos é apertada.
Imagine uma disputa hipotética na qual um candidato tenha 51 milhões de votos válidos e o outro, 49 milhões.
A diferença seria de dois milhões de votos. Nesse cenário, a entrada de três milhões de novos votos válidos concentrados no segundo candidato poderia inverter o resultado, desde que os demais votos permanecessem iguais.











